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CRÔNICAS DE UMA VIDA AMERICANA

. . Por causa disso, ou apesar disso?

Terry Françoise Boretti

. . . . Para cima do equador é tudo diferente: Enquanto aí é verão, aqui é inverno, a lua crescente é ao lado contrário do que é no hemisfério sul, a água rodopia "do outro lado" quando desce pelo buraco da pia. Seguindo esta "lei" de "ao contrário" aqui onde estou, o inverno apesar de frio (não mais frio do que o dia mais frio em Pepê), é chuvoso, diferente daí, enquanto o verão (quente, graças à Deus) é muito seco. Aliás descobri, não sem um certo desapontamento, que o apelido da Califórnia de "estado dourado" se deve ao fato de não chover de abril/maio até novembro, nem uma gota sequer, e as pastagens ficarem todas amarelas…

. . . . Bem, no último verão, minha aventura como boa vizinha começou quando o vizinho da direita, família maravilhosa diga-se de passagem, pediu-me que aguasse suas roseiras enquanto eles sairiam de férias - férias curtas, coisa de 10 dias. Fiquei feliz de poder ajudar quem precisava dos meus serviços.

. . . . É verdade que fiquei meio assustada: o caro vizinho tem 97 roseira! Lá fui eu, dia sim dia não, de mangueira em punho, admirar a beleza das variadas rosas. O vizinho voltou, feliz, energizado pelas férias, até me presenteou com uma magnífica torta de cerejas feita por ele mesmo. Uma delícia. Tudo na mais santa paz e eu firme nos livros e na prática para o preparo da segunda prova.

. . . . Eis que pouco dias depois me chama a vizinha da frente: ia sair de férias com a família, será que eu poderia não só aguar suas plantas como também tomar conta do seu gato? A vizinha não tem rosas, nem tem tantas plantas assim, essa parte foi mais fácil, mas sendo meu marido alérgico a gato, o tal bichano tinha que ficar encalacrado na sala de estudos. Foi um pouco chato, pois eu adoro janelas e portas abertas, o que ficou rigorosamente proibido com "Fluffy" lá dentro. Serviço feito, todo mundo feliz, eis que me chama o vizinho "de cima da rua", será que no curto espaço de tempo de uma semana, enquanto eles tiravam umas curtas férias e coisa e tal, eu poderia aguar a horta deles?

. . . . Até hoje não entendi se foi apesar de eu ser a "caçulinha" recém-chegada da rua ou se foi justamente por causa disso que fiz o papel de "baby-siter" de férias dos adoráveis vizinhos…!

 

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