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São Paulo antigo, São
Paulo-mor, São Paulo amigo, São Paulo amor.
São Paulo cidade morena, morena
creme queimado, creme de leite nelore, leite
de um peito macio, peito lindo "amore mio".
Futebol aqui se joga, em qualquer
hora do dia, espetáculo é no teatro,
saudade daquele tempo, que passava e que eu não via. A política
não era
praticada à luz do dia, pois reinava a ditadura, a mais pura
repressão. Mas
será que nunca mais, era a gente perguntando, vamos ter a
liberdade, era a
gente se escondendo.
Só assim surgiam formas, da
gente burlar as normas, e o nosso grande
consolo: ler as receitas de bolo, n'O Estado de São Paulo,
que foi pedra e
não foi Paulo.
Ah tempo que não vivi, no
Largo de São Francisco, uma ditadura antes, quanta luta e
quanta glória, acabada aquela escória, São
Paulo era café.
Lá no começo do século,
Di Cavalcanti e as pernas, da mulata e da morena,
semana de arte moderna, São Paulo descobre o beco, e os Andrade
estão em
cena.
No meu tempo de menino, São
Paulo locomotiva puxava vinte mais dois numa
lide prestativa. Agora tempos depois, toda vez que toca o sino nem
sei mais
quantos serão, arrastados no cambão, café com
pão café com pão, bolacha sim biscoito não...
E as diretas tão cantadas,
o povo todo na rua, enquanto o credo invocava o
apoio das alturas, Tancredo hipotecava a força das alterosas
em troca
daqueles votos necessários pra aprovar a candidatura sua.
Era uma nova
postura café com leite ampliada que ressurgiu do escombro
da política mais
impura já traçada no Alvorada.
E Ulisses Guimarães com Montoro
e FHC cerzindo aquela costura com apoio do
ABC levavam até o Planalto, ao lado de Mário Covas,
carregando em cada ombro muita energia nova, qualquer um tirava
a prova, São Paulo estava de pé.
Um destino uma tragédia, tivemos
que adicionar, ao café com leite, à média,
o aipim e o Ribamar.
Como tudo que é belo se não
for muito cuidado tende a desaparecer, veio um
tal Collor de Mello praticando um atentado, quase pôs tudo
a perder criando
muito " bollor ".
Pra limpar a bagaceira, felizmente
estava lá parte da astúcia mineira - ai
meu Deus, era o Itamar.
Começava novamente a alternância
do poder, o próximo presidente, de São
Paulo tinha que ser. Quatro mais quatro são oito, FH FHC,
oito e quatro uma
dúzia, Luis Inácio do ABC, contra tudo e contra todos,
apesar do FMI,
governando todo povo novamente bem na frente, estava São
Paulo ali.
São Paulo dos bandeirantes,
Anchieta mais pra trás, lá na frente os
imigrantes, Anhangüera e a água raz. Todos personalidades
de outros tempos,
de outras eras, observam a cidade de cima no firmamento e abençoam-na
em
janeiro, pra não haver nenhum erro, pra que seja sempre a
terra de qualquer
um brasileiro.
São Paulo de Adoniram, do
Bixiga e do MAM, São Paulo é a grande mescla da
cultura universal, tem sarau e tem poesia, tem balada e boemia,
tem repente
e tem mingau, pizza e churrascaria, cozinha internacional. O trânsito
é uma
bosta, congestionamento atroz, só que todo mundo gosta de
andar muito veloz, e é por isso que eu vou despedindo-me
daqui, liberando essa pista, pra que venha outro artista, repentino
ou repentista, diarista ou mensalista,
continuar essa revista.".
Clodomiro Cruz Stabile
clodomiro@baliza.com.br
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