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ESPAÇO LITERÁRIO
Ao
Velho Rio
. E
então,
. Se
um dia lhe falarem que eu já fui não se importe porque afinal
um dia todos se vão...
. Mas
eu poderei ser encontrado debruçado na amurada da ponte de
Presidente Epitácio a um final de tarde, contemplando o poente
e as águas rubras do grande rio nessa hora mágica , esticando-se
em direção ao sul...
. Ou
então nas noites iluminadas da lua cheia refletida nas águas
dos riachos plácidos do Mato Grosso do Sul, enquanto bandos
de catetos se alvoroçam pelas planícies e corsas e cervos
se esgueirando chegam aos cochos do gado para comer os resquícios
do sal deixado.
. Também
poderei estar no cimo acoplado das grandes figueiras contemplando
as araras em pares passando na toada dos seus cantos de amor
e as garças brancas do banhado saltitando e apanhando o peixe
nos afluentes piscosos.
. Ou
nos convés das barcaças descendo e subindo carregadas, assistindo
aos saltos acrobáticos dos grandes peixes que dormitam nos
grandes canais do rio formidável.
. E
ainda sobre as grandes pedreiras ou barrancos que o margeiam
conversando com as figuras daqueles que habitaram as terras
ribeirinhas, barranqueiros, pescadores e marinheiros da velha
Bacia do Prata...
. Por
aquelas matas, campos e serrados, remansos e lagoas repousam
o meu passado; por trilhas, cemitérios índios e ranchos de
palha iluminados à luz da lua passei em longas caminhadas.
. Saudade
do velho rio que a civilização destruiu roubando-lhe a energia
e a beleza de outrora...
. Para
que?
...
José Dassi
...
..josedassi@uol.com.br
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