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ESPAÇO LITERÁRIO

. . Do Morumbi a Presidente Epitácio

. . Em ambos há muitas semelhanças mas as diferenças são gritantes. Quem fala em Morumbi lhe vem à mente o Estádio do Morumbi do São Paulo Futebol Clube, sempre lotado nos dias dos grandes jogos.

. . Mas Epitácio também tem lá o seu Estádio Beira Rio, palco de grandes competições às margens do Rio Paraná. O Morumbi nos lembra o Palácio sede do Governo Estadual, sempre agitado com passeatas de funcionários públicos em greve demonstrando sua insatisfação ao Governador Geraldo Alckmin, sucessor de Mário Covas que sucumbiu ao câncer após anos de sofrimento.

. . Epitácio também tem o seu governo local na pessoa do Prefeito Dassie que vem lutando com garra para que empresários nacionais e internacionais prestigiem aquela Estância de turismo que, pela sua localização geográfica e belezas naturais merecem investimentos.

. . No Morumbi há muito verde, com grandes mansões dos abastados, carros de luxo nas suas avenidas de muito trânsito mas também há o oposto com as grandes favelas revelando os contrastes de um país de má distribuição de renda.

. . Em Epitácio as grandes matas já desapareceram a não ser os pequenos trechos das margens do rio hoje represado. Antigamente as grandes serrarias como Guímaro, Alziro Baltazar, Verdasca, Casadei, Sarrraipa, forneceram dormentes para as ferrovias e madeiras para as grandes indústrias de São Paulo.

. . Pelas suas ruas pequeno trânsito de veículos motorizados mas de muita bicicleta circulando nas suas vias largas, longas e muito planas monitoradas por pessoas morenas e com shorts, camisetas, enfim vestidas bem ao sabor do clima quente e de sol abrasador. Epitácio foi sempre o ponto de ligação com Mato Grosso e todo o centro oeste , pela Rodovia Raposo Tavares que se liga a Rodovia Federal pela ponte Maurício Joppert, com paradas nos postos de combustíveis tradicionais e antigos como os do Arley, do Milton, Nofrinho ou para as famosas peixadas no Damasceno ou Maçarico.

. . Roteiro também para as grandes pescarias do Coxim, Miranda, Pantanal ou nos mais próximos como o Pardo, o Inhanduí ou o próprio Rio Paraná, famoso pelos seus pesqueiros da Brasimac, Barra Preta, Novaes e Maria Portuguesa.

. . O Paraná antigo, cheio de curvas e enseadas, com suas margens arborizadas, de rica fauna e flora, me faz lembrar o saudoso e exímio violonista José Carvalho Oliveira Filho, um aposentado ferroviário que com sua esposa Jane vivia a maior parte do ano com seu barco moradia navegando e pescando rio abaixo, rio acima e que numa noite enluarada encontrou o caboclinho querido Sílvio Caldas cantando com seu vozeirão as suas músicas de serestas por aquelas paragens.

. . Carvalho era um virtuose na arte do violão, comparável a Valverde, Canhoto ou aos grandes mestres espanhóis. Já não mais existe... Não dá pra lembrar de Epitácio e não mencionar, o José Luiz Tedesco, ex-prefeito e vereador de muitas legislaturas, advogado, jornalista e dono de escritório, Daltayr Carlos Silveira Valim, Otávio de Souza Negrão, Ademar Franqueiro, Miguel Rosim, Hélio Lemes de Andrade, Oswaldo Barbosa Monteiro, Nivaldo Ramos, meu grande amigo até hoje, gente da fiscalização estadual.

. . Também do Amândio Pires, Marinho, Damasceno, Frederico Consolim, José Veloso de Menezes, Neto, comerciantes, políticos, amigos enfim. Também das pescarias do Rio Paraná, do Pardo, Inhanduí e outros rios não dá pra esquecer dos amigos e colegas prudentinos Pedro Stábile, Moacir Bezerra dos Anjos e William Tedros.

. . No Morumbi a população é como toda a da grande São Paulo, de todas as raças, cores e credos. Em Epitácio com a grande corrente dos que vieram das margens do Rio São Francisco naqueles tempos da Navegação da Bacia do Prata e da Moura Andrade, gente morena, afeita à água, ao calor e às crenças.

. . A cidade numa época ficou famosa pelos seus centros de umbanda e seus terreiros e as buchadas de bode feitas no capricho e prestigiadas por todos. No Morumbi hoje há grande agitação e a esta altura em que encerro esta crônica porque ainda não houve um acordo da polícia com o seqüestrador para libertação de Sílvio Santos que por ele é mantido refém desde as 7 horas da manhã e já são 14,30.

. . Resta-nos esperar e confiar em Deus, em silêncio e meditação. Pronto, agora as 14,32 a televisão anuncia que o seqüestrador se entrega e sai preso num camburão da polícia e Sílvio Santos, libertado, sai abraçado com o Governador Alckmin.

. . Bem agora reina a paz no Morumbi e em Presidente Epitácio e muita paz e igualdade nos seus cemitérios ecumênicos, sim no Cemitério do Morumbi, de São Paulo, onde inclusive está sepultado o nosso herói Aylton Sena e no Horto da Igualdade em Presidente Epitácio, este último construído há uns trinta e dois anos, na gestão do prefeito José Luiz Tedesco.

. . Nesses cemitérios todos são iguais ao menos na morte, não há jazigos e covas rasas como nos cemitérios comuns, mas tudo exatamente igual, gramado, flores e apenas a identificação, em cada sepulcro, com o nome do sepultado. A morte nivelando a todos!

. . Só com um detalhe, o Morumbi é cemitério para pessoas ricas ou de classe média ao passo que o Horto da Igualdade é o único cemitério de Presidente Epitácio, portanto para todos, independente de suas posses e com justiça designado Horto da Igualdade.

 

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