|
ESPAÇO LITERÁRIO
.
. Ouça a voz
Ouça
a voz do coração.
Ouça a voz do rádio.
Ouça a voz dos olhos.
Ouça a voz dos lábios.
Ouça a voz do menino.
Ouça
a voz da pobreza.
Ouça a voz da riqueza.
Ouça a voz da fome.
Ouça a voz da criança.
Ouça
a voz do coração que sofre por um amor não
correspondido;
Ouça a voz do rádio que toca a música
triste que me faz chorar;
Ouça a voz dos olhos dos olhos que tudo vê a
nada faz;
Ouça a voz dos lábios que se tocam quando o
casal de namorado se beijam;
Ouça a voz do menino que grita, que chora, que pede
um prato de comida;
Ouça
a voz da pobreza, nas favelas, nas vielas, nas sarjetas, nas
praças;
Ouça a voz da riqueza, nas mansões, nos clubes,
nas grandes festas, nos palácios;
Ouça a voz da fome, no amor, na barriga, na panela
vazia, no fogão apagado, até mesmo na burguesia
que sofre, que chora, que grita, que morre;
Ouça a voz da criança, que sorri, que brinca,
que chora, que anda, que dança, que vive na rua, que
apanha, que vive na lama, que nem cega a nascer, que não
tem amor, que não tem pai, que não tem horror
só tem pavor;
Ouça
a voz, que chora, que grita, que grita, que grita e nada faz.
...
Sérgio Brasil
...
..profsergio@bol.com.br
|