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Alunas do Helga Urel Estúdio de dança
brilham em grandes escolas de balé



.: Catarina Scaraboto.

Álvaro Canholi

Professores e alunos do Helga Urel Estúdio de Dança não cansam de comemorar. Em menos de um ano, duas de suas alunas ingressaram em grandes escolas de balé, no Brasil e no exterior. Paula Archangelo Guimarães, 17, foi a primeira; há quase um ano se encontra em Dresden, na Alemanha, cursando balé.
Já Catarina Covollo Scarabottolo, 15, ingressou na Escola Ballet Teatro Bolshoi, em Joinville, Santa Catarina.

Helga Urel, proprietária da escola e professora desde que as meninas eram crianças, diz que foi difícil conter as lágrimas. "Por duas vezes chorei como uma louca, após receber os resultados". E revela: "Quando a Paulinha foi, tive a certeza que facilmente atribuiriam ao resultado um talento individual, o qual na verdade ela possui. Após colocar uma segunda aluna, e na maior escola de balé do Brasil, as coisas mudam".

Helga considera essas conquistas muito importantes para que as pessoas da cidade tenham noção de que seu trabalho está equiparado com o dos grandes centros. "É importante as pessoas perceberem que existem escolas que realmente se importam com o crescimento técnico e emocional dos alunos. É comum imaginarem que as escolas do interior não possuem qualidade".

Catarina passou pela audição no Teatro Bolshoi em dezembro de 2002. Foram selecionadas, em meio a trezentas fitas enviadas de todas as partes do Brasil e alguns países da América do Sul, doze meninas e seis rapazes, dos quais apenas quatro bailarinas conquistaram a vaga. Destas quatro, Catarina foi a primeira colocada. As outras três são uma bailarina do Uruguai, uma menina do Balé Municipal do Rio de Janeiro e uma gaúcha recém chegada da Áustria. Helga observa que Catarina foi sua aluna desde os seis anos de idade. "Isso foi o que tornou minha felicidade mais intensa".
Catarina Scarabottolo concedeu uma entrevista em um dos intervalos de suas aulas no Bolshoi. Ela conta como está se sentindo cursando balé na maior e mais importante escola do Brasil.

Ponta - Como foi a recepção, como as pessoas te receberam na Escola Ballet Teatro Bolshoi?
Catarina - A recepção foi das melhores. Confesso que eu estava muito nervosa no primeiro dia de aula. As meninas da minha turma foram muito simpáticas e me deixaram mais à vontade, ao dizerem que todas elas também já haviam passado por isso.

Ponta - Como você se sentiu tecnicamente em relação aos outros alunos? Sua formação foi deficiente em quais aspectos?
Catarina - Em nenhum aspecto. Na primeira semana fiquei meio perdida nas aulas. Tive e ainda estou tendo algumas dificuldades, pois o estilo, o método é diferente, as cabeças são mais acentuadas. Mas foi só pegar o ritmo das aulas, aprender as seqüências certinhas, que não tive muitos problemas. Além disso, tive dificuldades em entender o que a professora dizia, pois ela é russa. Mas agora já entendo (quase) tudo.

Ponta - Onde você mora e estuda?
Catarina - Eu moro em um apartamento pertinho da escola. Mas na verdade só vou lá para dormir. Acordo às 6h para ir ao colégio, o Objetivo, que também é muito perto do Bolshoi. Saio ao meio dia e vou direto para a escola de balé, onde almoço. Tenho aulas de Clássico todos os dias, das 14h às 16h, e no decorrer da semana também participo de aulas de Dança Popular Histórica, Caráter, Repertório e Inglês.

Ponta - Qual foi a importância de sua formação no Helga Urel Estúdio de Dança?
Catarina - Toda a base que eu tenho foi no Helga Urel Estúdio de Dança que aprendi. Tudo o que eu sei e o que mostrei aqui, foi a Tia Helga quem me ensinou. Devo isso a ela. A partir de agora, quero aprimorar mais o que ela me passou. É por isso que estou aqui.

Ponta - Quais são suas expectativas em relação à sua carreira como bailarina?
Catarina - Sempre sonhei em ser uma grande bailarina, mas é preciso ir com calma. Quero me esforçar o máximo e acho que só o tempo poderá dizer quais serão os meus resultados.

Ponta - O que você diria para as meninas que sonham alcançar o lugar onde você está hoje?
Catarina - Acho que o importante é se dedicar ao máximo. Ter disciplina, determinação e principalmente, paixão pela dança.

Ponta - O que você diria aos pais dessas meninas?
Catarina - Os pais deveriam ser os primeiros a apoiarem suas filhas. Eles não têm o direito de jogar um balde de água fria no sonho de suas filhas. É importante deixá-las aproveitarem as oportunidades que surgem e, com o tempo, elas saberão se é realmente isso que querem. É preciso que elas experimentem, que sintam.

Ponta - Quanto de dedicação é necessária para chegar ao estágio que você está hoje?
Catarina - Eu ainda tenho muito que aprender. É muito importante se dedicar totalmente, ter determinação para conquistar aquilo que você quer.

 

BATE BOLA

Como é sua rotina?
Super corrida! Mas é o que eu gosto.

Amigos? É fácil fazê-los?
Eu não diria amigos, mas colegas sim.

Fim de semana? Festas?
Sim, muitas. Mas o importante é saber se comportar nas festas, fazer tudo com moderação, aí não tem problema.

O que faz quando bate a saudade?
Eu leio cartas que me mandaram, vejo fotos...

O que de melhor o Helga Urel Estúdio de Dança te ensinou?
Ter determinação e principalmente estar de bem com você, dançar para você, dançar com sentimento.

Isso é a realização de um sonho ou apenas o começo dele?
É o começo.

Alguma mensagem às suas amigas do Helga Urel Estúdio de Dança?
Meninas, todas vocês tem muito talento. Acreditem nos seus sonhos. Amo muito vocês! Do fundo do meu coração! Mil beijos! Cathy.



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Publicada em: 23/07/03
 
 
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