A longevidade de Tsuguio Takigawa, que nasceu no Japão, em 1 de março de 1908 e emigrou para o Brasil em 1933, foi comemorada domingo, por amigos e familiares.
Como a maioria dos imigrantes dessa idade, que passaram a maior parte da vida trabalhando na zona rural, convivendo praticamente só com a família, Tsuguio fala muito pouco o português, usando na maior parte das vezes o dialeto falado na terra natal, Kyusho, província de Kumamoto.
Quando chegou ao Brasil o imigrante trouxe a filha mais velha, Kaneo, então com 2 anos. Aqui nasceram outros nove filhos. Estão vivos, além de Kaneo, Yoshinori, Antonio, Sakae e Seiji. Tsuguio tem 31 netos, 41 bisnetos e um tataraneto.
Conversei com ele durante almoço da família Takigawa, com o auxílio do filho Antonio Takigawa, que fazia a tradução.
O que significa para o senhor chegar a 101 anos?
É uma alegria muito grande, estou muito satisfeito e feliz, com toda família.
O que o senhor fez de sua vida para chegar a idade?
O segredo é sempre cuidar da saúde, manter o corpo ativo durante toda vida e comer de tudo, comida japonesa e comida brasileira, arroz, feijão, bife, sempre sem exagero.
Como é sua rotina hoje?
Levantar seis horas, fazer a oração, andar meia hora de manhã e mais meia hora de tarde.
Porque o senhor veio para o Brasil?
A situação financeira na década de 30 era muito ruim no Japão, e a noticia que corria lá é que no Brasil era muito fácil ganhar dinheiro. Mas não era nada disso. Sofremos bastante, eu e meus dois irmãos.
Como foi o começo aqui?
Vim direto para o bairro do Limoeiro em Prudente, trabalhar em plantação de café. Depois de dois anos comprei uma terrinha e fui para Paraguaçu Paulista. Alguns anos depois voltei para Prudente.
Qual a maior dificuldade?
Era não falar o português.
Se arrependeu de vir para o Brasil?
Não, se tivesse ficado no Japão teria ido para a Guerra e certamente não chegaria aos 101 anos. Gostei daqui. O Brasil é minha pátria!
|