Em homenagem ao Centenário da Imigração Japonesa, recentemente, foi reinaugurada a Praça das Cerejeiras.
Localizada na confluência das Avenidas Luiz Cesário e Padre Goeths, no lado Leste da nossa cidade, chama a atenção pela beleza nipônica de seus símbolos e cores vermelhas brilhantes em seus adereços.
O jardim na sua composição paisagística já existia. Foi remodelado, restaurado, com lápides de mármores, símbolos referentes à cultura japonesa para a celebração desta data tão importante para os japoneses que vieram viver no Brasil.
Cerejeiras, ameixeiras e outras espécies compõem o paisagismo elaborado pelas delicadas mãos de japoneses que fazem de suas vidas, privilégio cultivar as plantas, bonsais, com a mais ardorosa paixão...
Em meados de março, próximo passado, ao caminhar pela praça, fui surpreendida por um aroma inexprimível... Constatei que as árvores desnudas, estavam carreagadas de flores brancas. Muito perfumadas.
Também em êxtase, deparei-me com um senhor japonês que as observava de longe. Éramos nós dois, cúmplices da eterna magia...
Aproximei-me dele. Cumprimentei-o sorrindo pela descoberta, curiosa pelas flores desconhecidas. Perguntei-lhe da sua origem, ao que, como filósofo sabedor, explicou-me que estas são flores das ameixeiras, velhas árvores que foram plantadas na mesma época das cerejeiras. “Elas têm floradas nesta época espargindo seu perfume”. ’
Era o senhor Noburo, expert em bonsais em nossa cidade e que se dedicou toda sua vida na arte de cultivar as minúsculas árvores. Estaria ele ali, idealizando remodelar o jardim para sua reinauguração e matando a curiosiade desta simples mortal...
Dentre muitos bonsais, arbustos, bem planejados para o jardim, circundam ipês rosa e acácias amarelas perfumadas que florescem cada uma a seu tempo, dando beleza imensa , uma graça especial para este espaço...
Há duas grandes Escolas frente a Praça das Cerejeiras. Se elas a adotassem para a sua manutenção, conservação, carinho e cuidados, ela estaria sempre exuberante, seria um local rico de aprendizagem. Crianças, adolescentes, direcionados pelos professores, aprenderiam a cuidar, preservar e amar a natureza, através deste rico laboratório.
William Black nos ensina:
“_A árvore que o sábio vê não é a mesma árvore que o tolo vê.”
O ato de “ver” não é coisa natural. Precisa ser aprendido.
Como diz Nietzsche, ”A primeira tarefa da educação é ensinar a ver.”.
A Praça das Cerejeiras nos convida a sentarmos em seus bancos numa contemplação do belo...
Observar suas plantas, arbustos, árvores, flores e bonsais, nos transporta para um mundo efêmero, nos deixa completamente felizes...
Sua composição manual, muito mais do que isso, um poema que reflete os sentimentos mais íntimos de quem os plantou. É a arte floral, a profunda filosofia de vida. Filosofia que exprime beleza, delicadeza e sensibilidade da Praça das Cerejeiras.
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