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Por quem os sinos dobram
Hélio Martinez


Antigamente, quando ocorria um fato relevante, triste ou alegre, os sinos da Igreja Matriz de nossa urbe tocavam constantemente. Assim, para anúncio de um novo Papa, para o dia de finados, para chamada às missas dominicais, os sinos dobravam.

Era uma melodia ímpar, incomparável, porque ao ouvirmos o ecoar, por vezes, desconhecíamos a razão desse mister. O certo é que isso fazia parte de nossa religião, como tradição. Há muitos anos não ouço essa chamada, porém, fico a imaginar, hodiernamente, por quem os sinos dobrariam?

Por João Hélio, por João Roberto, por Isabela, por todos aqueles que foram “sacrificados” em vida, sem motivo aparente que ensejasse sequer o beneplácito da dúvida. Sempre, em tese, existe um nexo causal entre o fato e o resultado.

É o liame que une a causa e o efeito. Uma máxima jurídica que pode ser empregada analogicamente em todas as circunstâncias vivenciais. Pensando dessa maneira, indubitavelmente, os sinos da Igreja Matriz bradariam seus acordes diariamente, já que, infelizmente, a existência do ser humano está marcada pelos malfeitores que as vê de forma irracional, matando-se as pessoas como se fossem animais ferozes.

Não são somente os meliantes, mas também as estradas perigosas que representam a maioria em nosso país. A Rodovia Raposo Tavares, em especial o trecho de Assis a Presidente Prudente é um perigo e risco constante.

Quantas vítimas já ocorreram nesse trecho? Quantas vidas foram ceifadas prematuramente? Tentativas inúmeras de duplicação foram feitas. Petitórios e abaixo-assinados foram realizados. Todos em vão.

Apenas alguns quilômetros foram duplicados. Quantos ainda morrerão até que nosso governo se sensibilize? Recentemente um jovem advogado perdeu a vida precocemente nessa estrada. Por ele, os sinos também iriam dobrar, num lamento triste e infrutífero.

É bem verdade que a morte não é o fim. Mas, devemos evitá-la porque se existimos há uma razão. Missões devem ser cumpridas. Os desejos do Pai Celestial ao nos colocar no mundo devem ser realizados.

MOZART, o gênio da música, certa feita, escreveu a seu pai os seguintes dizeres: “Pai: como já reparei que a morte é a verdadeira finalidade da existência, desde os dois anos até hoje que com ela me familiarizei. Assim, considero ela como a melhor amiga do homem, e longe de atemorizar-me, a sua imagem tranqüiliza-me e consola-me. Dou graças a Deus por ter dignado fazer-me conhecer a morte como verdadeira chave de nossa felicidade.

Nunca me deito sem pensar que amanhã não mais existirei com meu corpo físico”. Não chego a esse extremo. Penso que uma bela morte honra toda uma vida. E a beleza do fim se assenta na maneira pela qual vivemos. Existe uma máxima oriental da qual sou apologista: “Todos se regozijavam quando nasceste e tu choravas. Vive de modo que possas alegrar-te no momento da tua morte, e ver os outros chorarem”.

Quem sabe assim procedendo teremos a honra de ouvirmos os sinos dobrarem por nós.
Serviço:

DR. HELIO MARTINEZ

www.martinezsugui.com.br

Av. Cel. Marcondes, 297

Vila Maristela

Presidente Prudente SP

Fone: 018 3221.1011