A pílula completa 50 anos, mas parabéns ficam para as mulheres que a utilizam.
Simone de Beauvoir, escritora francesa, lançou em 1949 o livro: O Segundo Sexo. Abordou as dimensões da condição feminina, ou seja: a vida sexual, social política e psicológica. É possível dizer que esta publicação foi o marco inaugural do debate sobre a situação da mulher frente ao mundo.
Em 1960 com a chegada da pílula a turbulência foi grande, mas o benefício, indiscutível.
O ginecologista e obstetra, José Bento Souza, do Hospital Israelita Albert Einstein, de São Paulo diz que:” agora os efeitos colaterais são mínimos, e as vantagens, diversas : quem toma a pílula corre menos risco de desenvolver câncer de ovário, cistos ovarianos e uterinos, miomas e endometriose, que é considerada a maior causa de infertilidade em mulheres.”
Segundo a Organização Mundial de Saúde, a pílula anticoncepcional (usada para evitar a gravidez ) ainda é impedida , por crenças religiosas , falta de informação e mesmo falta de controle da mulher sobre seus direitos reprodutivos e sexuais. Nos anos 60, também era uma preocupação nos países desenvolvidos controlar a superpopulação global, que, temia-se, poderia desestabilizar sistemas políticos e sociais. Mas a pílula nunca foi realmente abraçada em países em desenvolvimento como forma de controle populacional.
A pílula foi vista como responsável pela revolução sexual. Mas isso é um mito. Não é verdade, porque segundo historiadores a revolução sexual já se delineava nos anos 1950.
Foi vista também como responsável pelo movimento hippie.(que pregava o amor livre)
Mas não se pode negar que a descoberta da pílula anticoncepcional foi, realmente, uma revolução em termos de , planejamento familiar e comportamento sexual.
Até pouco tempo atrás se atribuía à pílula o sucesso do movimento hippie, que pregava o amor livre.
Não existia método seguro, antes de 1960, que permitisse à mulher o poder de controlar sua fecundidade sem a colaboração ou mesmo conhecimento do parceiro.
1960, o cientista Gregory Pincus lança o contraceptivo oral nos Estados Unidos.
Já estamos em 2010 e mesmo depois de todo este tempo da descoberta da pílula anticoncepcional , ainda existem mulheres que não sabem fazer uso dela.
Mitos e Verdades
*Mito:O uso da pílula inibe a libido.
Verdade :O desejo sexual depende de vários fatores e o aspecto psicológico é considerado o mais relevante. Protegida contra a gravidez a mulher pode até melhorar seu desempenho sexual.
*O mito: As pílulas são todas iguais.
Verdade: Existe uma enorme variedade de pílulas contraceptivas no mercado e nem todas são iguais.
*O mito: Mulheres com mais de 35 anos não podem tomar a pílula.
Verdade: Mulheres saudáveis, na maior parte dos casos, pode tomar a pílula até chegar a menopausa.
*O mito: A pílula protege contra doenças sexualmente transmissíveis.
Verdade: A pílula não oferece qualquer proteção contra a contra VIH/SIDA ou qualquer outra doença sexualmente transmissível (DST). Nestes casos, a única forma de prevenir é utilizar sempre um preservativo.
Como profissional da área de psicologia, acho importante dar um enfoque especial aos aspectos psicológicos e culturais por trás dos comportamentos da mulher, que vem ganhando espaço no mercado de trabalho e que desde o advento da pílula anticoncepcional, há 50 anos , vem se “desamarrando dos grilhões” que a mantiveram castrada e comprimida em seus espartilhos reais e simbólicos, submetidas aos mandos e comandos dos seus parceiros, que se sentiam seus donos. A mulher era apenas objeto de desejo masculino, com a chegada dos contraceptivos orais, pôde deslocar-se à condição de mulher real, sujeito do próprio destino.
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