Cruzamos todos os dias com uma infinidade de pessoas. Pessoas no supermercado, lojas, cabeleireiros e clínicas. Também em hospitais, parques, ruas, portarias de condomínios, local de trabalho, durante caminhadas e academias. O contato com o outro é uma realidade diária. E todos são diferentes.
Cada um com sua especificidade, característica e peculiaridade. Muitas vezes observamos situações, vivencias e comportamentos em pessoas, quase que impossíveis de não serem observados e registrados, causando sentimentos dos mais diversos. Chega ser impactantes!
Outro dia estava em um local esperando ser atendida, chegou uma pessoa depois de mim e adentrou o estabelecimento. As características e o comportamento que observei no indivíduo, durante o momento que estive ali, resultam em um tratado, se quiser dá um livro. A pessoa entrou, também entrou com ela, toda uma falsa imagem e uma representação, ela mesma, ainda não entrou em lugar algum, pois ainda, não tem existência.
Explicando melhor, acredito que estamos vivendo uma era muito complexa advinda da contemporaneidade que faz do sujeito de hoje, um ser completamente sem identidade, subjetividade, expressão emocional ou existência. Convivemos com pessoas que, algumas vezes, eles próprios desconhecem ou alguns têm consciência disso, que se escondem por trás de uma marca, grife, imagem, empresa, marketing ou brasão familiar.
Há os que representam à empresa da família, indústria, propriedade, profissão dos pais, negócios, bens, ou nem precisa ter nada, somente uma marca ou patente. Escondem-se atrás das patentes. Tirando essa marca identificatória representativa, ela torna-se oca, vazia e sem vida.
Que rei sou eu, pergunto?Para ser rei temos que conquistar o posto. Com bravura, determinação, evolução e muita garra. Há indivíduos que param no tempo, desconhecendo a si mesmo. Tem como ideologia o seguinte: “Meus pais têm, meus avôs têm, não preciso ser”. A preocupação em como ser e o que ser ficaram em segundo plano. E o pensamento é: “O relevante é o que tenho que é fruto do que tem meus avós, bisavós ou o que meus pais possuem e construíram”. Com esse pensamento estamos assistindo a situações diárias de arrogância que nos faz refletir se vale a pena deixar herdeiros. É necessário que cada um conquiste seus espaços e façam história. Não podemos nascer, crescer e viver com o escudo do brasão familiar lado a lado conosco. E quando nos tiram?O que nos resta?
Devemos construir independente da herança econômica que nossa geração tem ou possui. Nossa identidade e subjetividade são o que nos faz ser únicos. Essa essência e construção de uma vida psíquica, que chamamos em psicanálise de self verdadeiro, são fundamentais. Lembrei da metamorfose nas borboletas Uma crisálida é o estágio de pupa de insetos da ordem lepidóptera. O estágio da crisálida em muitas borboletas é o único onde elas pouco se movem ou não o fazem para seu desenvolvimento ser ideal. Entretanto, muitas pupas de borboletas são capazes de mover seus segmentos abdominais para produzir sons que possam afugentar potenciais predadores. Dentro das crisálidas ocorre o processo de crescimento e as borboletas adultas emergem destas e expandem suas asas para bombear sangue pelas veias.
Esta transformação é chamada de metamorfose. Essa metamorfose deve ser feito somente por elas, custe o que custar, não poderá ter intervenção externa,caso isso ocorra,poderá implicar em deficiência física e muitas outras limitações. E como conseqüência, poderão não voar. Só poderemos voar se tivermos asas. E essas asas só ficarão fortes e normais, se as exercitarmos individualmente com a natural experiência que a vida nos trás. Necessitamos do tempo, também de experiências que frustram e gratificam para tornarmos seres pensantes, humanos e sem nenhuma semelhança com os futuros robôs a que estamos vendo com mais freqüência circulando por aí. Muitas vezes damos tudo aos filhos sem ao menos perguntar se realmente estão precisando. O ideal é que primeiramente surjam as demandas e que discutamos a real necessidade. Não tem algo mais gratificante do que conseguir o que desejamos, com nossas próprias conquistas.
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