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Crianças desobedientes, autoritárias, egoístas, tiranas: é preciso educ
DR. BELMIRO d´ARCE

Desobedientes, teimosas, dominadoras, tiranas, autoritárias, egoístas, imediatistas, não toleram ser contrariadas, são características normais do comportamento das crianças em seus primeiros meses e anos de vida. Durante toda a gestação, no útero materno, a criança tem todas as suas necessidades atendidas, sem sofrer nenhum desconforto. Ao nascer, começa a vivenciar frustrações e sofrimentos, sendo o primeiro, a sensação de fome, diante da qual reage, como instintivo mecanismo de defesa, com choro e gritos inconsoláveis. A mãe apressa-se em atendê-la e, enquanto isso, a criança chora cada vez mais forte e só para quando é saciada, alimentada. A criança automatiza e consagra essa vivência de que, diante do sofrimento, gritos e choro fazem com que suas necessidades e vontades sejam atendidas, e seus sofrimentos aplacados, rapidamente. Assim, segue reagindo diante de todas as frustrações que encontra em seu caminho.
Essa reação ocorre, primeiro, porque a criança não tem, ainda, mecanismo interno para lidar com frustrações e irrita-se, chora, grita, sempre que as coisas não saem como e na hora que quer; segundo, por não ter noções de valores, propriedades, espaços e direitos alheios: acha que o mundo todo lhe pertence, está a sua disposição e quer tudo que está a sua volta. Esse comportamento egoísta e tirano que ocorre desde o nascimento, deve ser gradativamente perdido através do processo de educação desenvolvido pelos pais.

POR QUE EDUCAR?
Educar é colocar limites e fazer com que a criança deixe seu comportamento de desobediência, teimosia, dominação, prepotência, tirania, egoísmo, imediatismo e intolerância, insuportáveis até mesmo para os pais e familiares, aprendendo a lidar com as frustrações e respeitar as leis e os direitos alheios, capacitando-a para viver em sociedade. O caminho aparentemente fácil de deixar a criança sem limites, atendida em tudo que quer, a fará desajustada, na família e na sociedade, e sofrer as consequências negativas.

QUEM DEVE EDUCAR?
Aos pais, claro, cabe educar, desde que a criança nasce e ao longo de sua infância e adolescência. A criança sem educação é vítima dos erros educacionais dos pais e seu comportamento equivocado apenas reflete os estímulos que recebe. Não é fruto de nenhum distúrbio cerebral e não está indicado submetê-la a exames de Eletroencefalografia e outros, conduta, infelizmente, muito comum, na verdade uma tentativa de achar na própria criança a causa do problema.

COMO EDUCAR
Os pais precisam estar preparados para lidar e enfrentar as poderosas reações de teimosia, desobediência, persuasão, choros, gritos, birras, escândalos, chantagens, inclusive através de vômitos, perdas de fôlego, manifestadas pelas crianças como maneiras de manipular e fazer valer suas vontades. Os pais devem buscar o conhecimento que já existe bem estabelecido sobre educação de filhos, para fazer o melhor e errar menos.

EDUCAR COM AMOR E FIRMEZA
1. Dê sua ordem, em tom de ordem, não de pedido, falando sem gritar, porém, firme.
2. Explique a razão de sua ordem, com poucas palavras, objetivo, direto, sem “sermão” – não funciona e é prejudicial. Saiba, a criança não vai obedecer sua ordem verbal, é normal, vá para o passo seguinte:
3. AJA, não fique repetindo a ordem, nem use ameaças, chantagens, gritos, lamentos, etc., aja. Vá até a criança e faça valer a ordem dada, por exemplo, retire dela algo que você disse para ela não pegar, ou retire-a de um lugar onde você disse para ela não ficar, enfim, AJA, e enquanto age, vá dizendo: “filho, sinto muito, te amo, mas isso não pode...”; “tem que ser assim, por isso e por isso... “, explicando a razão da ordem, com poucas palavras, em tom de ordem, manifestando todo seu respeito e amor pela criança.

BATER, NUNCA
Bater não pode, nem é necessário, nunca, nem uma palmadinha. Bater é o atestado de incompetência dos pais. Educar deve ser um ato respeitoso e construtivo. Não se trata de conseguir a obediência da criança a qualquer custo, mas de torná-la um adulto de caráter equilibrado e saudável. O amor não comporta nenhum ato de agressão, sob nenhum pretexto.

MÃES EXAUSTAS
As mães são as que mais sofrem o comportamento desobediente e tirano dos filhos, assim, frequentemente as encontro em absoluto desequilíbrio emocional, cansadas e infelizes diante da vida de escravidão que estão vivendo. A criança sem limites invade todos os espaços, da mãe e da família, como a tiririca, praga que infesta, toma conta e sufoca todo o gramado.

ENSINAR SOBRE EDUCAÇÃO
Cabe ao pediatra a maior responsabilidade em ensinar sobre educação de filhos. Ele recebe – ou deveria receber - formação específica durante sua formação e tem contato com os pais e a criança em consultas frequentes. É inconcebível que pais, ao longo de anos consultando pediatras, não recebam completa orientação sobre o processo de educação dos filhos, assunto que deve ser pesquisado pelo pediatra, ainda que o motivo da consulta seja outro, ou que os pais não tenham tido a iniciativa de apresenta-lo.

O PAPEL DO PEDIATRA
Pais devem saber que precisam educar seus filhos, desde que nascem, e saber como fazê-lo de maneira correta e saudável. Não podemos esperar que os problemas educacionais sejam percebidos apenas na fase escolar, nem esperar que a criança apresente quadro grave comportamental para que os pais sejam orientados pelos psicólogos. Essa fase nem deve acontecer, se nós, pediatras, orientarmos os pais a cuidar das emoções, do comportamento e da educação de seus filhos.

A FORMAÇÃO PROFISSIONAL
As faculdades de medicina devem formar o pediatra para atender as áreas de educação de filhos e seus aspectos emocionais, e o pediatra deve dispor de tempo suficiente em sua consulta, para pesquisar e fazer as orientações necessárias.
Serviço:
Belmiro d’Arce é médico: pediatra e homeopata; professor da UNESP.
belmirodarce@uol.com.br - www.belmirodarce.com.br
belmirodarce.blog.uol.com.br - twitter.com/licoesdesaude