Todo dia era a mesma coisa na rotina escolar daquele menino. Antes de chegar à escola, ele já estava preparado para o pior. Vítima de bullying, o estudante de 13 anos, morador de Campo Grande (MS), começou fazendo as tarefas do agressor para não apanhar. Depois, comprava lanches para ele, e, por fim, passou a dar dinheiro. Sofrendo ameaças há cerca de um ano, o garoto já havia pago mais de R$ 1 mil para não ser agredido. Cansado de ser humilhado e extorquido, passou a gravar as ameaças. Com a ajuda da polícia, seu agressor, outro adolescente, foi apreendido, e a história da vítima pode finalmente tomar outro rumo.
Situações como essa ocorrem em escolas de todo o país e justamente para inibir este tipo de confronto entre alunos e, ainda, desavenças entre professores e estudantes, a Câmara dos Deputados analisa o Projeto de Lei 2100/11, do deputado Nelson Bornier (PMDB-RJ), segundo o qual as escolas públicas serão obrigadas a instalar um sistema interno de vigilância eletrônica. O autor diz que a intenção é diminuir não só a violência física nas escolas, mas também casos de humilhações, ameaças e desrespeito. De acordo com a proposta, o Ministério da Educação deverá regulamentar a responsabilidade de fiscalização e as penalidades cabíveis caso a lei seja descumprida, sendo que as escolas terão 180 dias para se adequarem às novas exigências.
Medidas para fomentar a segurança nos estabelecimentos são cada vez mais comuns, e não se restringem ao ambiente escolar. Recentes matérias publicadas na grande imprensa dão conta de ações praticadas por condomínios residenciais, com o intuito de prevenir seus moradores de roubos, sequestros e arrastões. Em bairros nobres de grandes centros, seguranças vistoriam carros de moradores e visitantes, chegando a abrir porta-malas e até a solicitar a visitantes que saiam de veículos de moradores e utilizem o portão social. Existe ainda a chamada ‘vaga do ladrão’: quando um morador é rendido, em vez de parar na sua vaga, ele estaciona no espaço reservado, alertando o porteiro, sem alarde.
A sensação de insegurança não pode dominar nossas vidas e nos fazer reféns do próprio medo. No entanto, medidas simples e criativas podem e devem ser tomadas pelos cidadãos para evitar a exposição a muitos tipos de delito. Neste quesito, as novas tecnologias de segurança têm muito a oferecer e ganham terreno. As câmeras e sensores, mesmo que não notados, estão em quase todos os espaços: das residências às ruas, dos bancos e supermercados aos estádios e, ao que parece, em breve também terão seu lugar assegurado nas escolas. A previsão de especialistas é de que por volta de 2020, a dependência em relação a esses dispositivos de identificação e de comunicação seja quase que total, em nossa busca incessante por maior segurança.
O novo ano entra e os brasileiros deverão continuar preocupados em se colocar a salvo da ação de criminosos, enquanto o Executivo, o Legislativo e o Judiciário devem se empenhar em medidas cabíveis de prevenção e proteção aos cidadãos. Vamos trabalhar para um 2012 mais seguro, porque esse é um direito e um dever de todos nós.
|