Cresce no Brasil, a cada dia, a chance de trabalho para a Terceira Idade. Segundo o IBGE, cerca de 5 milhões de aposentados idosos continuam trabalhando. Em um país em que a expectativa de vida aumenta a cada ano, o mercado começa a descobrir que é preciso investir nessa parcela da população que tem experiência e muito a ensinar.
As Faculdades Integradas “Antônio Eufrásio de Toledo” de Presidente Prudente, há muito têm esse pensamento e investe cada vez mais nesse mercado, buscando contratar não apenas aposentados, mas também aqueles que nunca antes tiveram a oportunidade de ter um emprego. Dos seus 250 colaboradores, 72 têm acima de 45 anos, isso significa que 30% do seu quadro é composto por pessoas desta faixa etária, conhecida como Melhor Idade. Aqueles com mais de 50 anos estão situados na Terceira Idade, temos nessa faixa etária 45 colaboradores e, acima de 60 anos, temos 20 colaboradores.
A supervisora de apoio acadêmico, Maria Aparecida do Prado Passos, orientadora educacional aposentada que, hoje, é responsável pelo trabalho dos auxiliares de ensino da faculdade, setor que concentra o maior número de pessoas acima de 45 anos, diz que na hora da contratação de uma pessoa para esse setor, o que conta é ter mais idade. “Aqui quanto mais idade melhor, pois a responsabilidade de lidar com os jovens não é tarefa fácil. Já tivemos experiência de contratar os mais novos e não deu certo, os alunos não têm o mesmo respeito para com eles. O trabalho exige bastante pelo corre-corre e diversas tarefas, mas minha equipe é muito boa, todos têm muita disposição e atenção que são os principais requisitos. Eu também gosto muito do que faço; se parar fico doente, pois continuo com o mesmo pique de quando tinha 30 anos”, contou ela que tem 64 anos e está há 30 na Toledo.
A idade dos auxiliares de ensino varia de 30 a quase 80 anos de idade. Dona Clarice Munhoz Vieira tem 56 anos, e há 15 trabalha na Toledo. “Esse foi meu primeiro emprego, pois antes eu morava no sítio. Não foi fácil conseguir emprego por eu não ter o colegial completo, mas graças a Deus consegui aqui na Toledo. Vejo que, se naquela época já era difícil, pela minha idade e falta de experiência; imagino que nos dias de hoje seja pior ainda”, afirmou ela que ainda tem muita disposição. “Acredito que o mercado tem muita opção para pessoas de mais idade e com vontade de trabalhar, existem atividades que não cabem aos mais jovens. Por exemplo, nossa função aqui na Toledo exige muito trabalho físico e os jovens de hoje buscam mais o intelectual. Eu amo meu trabalho e quero ficar aqui até quando eles me quiserem, pois pique de trabalhar é o que mais tenho”.
Outro auxiliar é o senhor Osvaldo de Freitas Vieira, de 57 anos. Ele está na Toledo há 12 anos e conta que também não acha fácil arranjar emprego depois de uma certa idade. “Eu vim do sítio e só tinha feito até o primário. Trabalhei por quase 15 anos em um curtume que depois fechou. Eu, graças a Deus, logo consegui entrar na Toledo, mas tenho amigos na minha idade desempregados, em busca de trabalho e não estão conseguindo, ainda mais porque hoje se exige uma melhor escolaridade. Mas como disse a dona Clarice, pode colocar serviço em mim, tenho saúde e idade não é o meu problema”.