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A importação de carros era proibida entre os anos 70 e 80, incentivando a produção de veículos especiais brasileiros , como os da Bianco
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Tarpan, evolução do Bianco, esportivo brasileiro apresentado no Salão do Automóvel de Nova York em 1978.

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O painel traz instrumentação completa , com conta-giros, marcadores de pressão e temperatura do óleo e relógio.

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Traseira do Bianco Tarpan, recuperada nas oficinas da Trojillo Personal Car, em Presidente Prudente.

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Reestilização: Em Presidente Prudente o carro ganhou estofado em couro cor caramelo combinando com o painel.

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José Roberto Bernardo, o “Neco”, encontrou o carro dos sonhos após oito anos procurando por todo Brasil.
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José Roberto Bernardo, o “Neco”, 45 anos , comerciante de Oswaldo Cruz , encontrou um ditado para responder a tantos que perguntam sobre o seu carro preferido: “É uma mosca branca de olho azul ”.
“É a resposta que encontrei para definir esta raridade ”, diz, mostrando o seu Bianco Tarpan 1981, que acaba de passar por um processo de remodelação no departamento personalização de veículos especial da Oficina Trojilo.
Apaixonado por carros antigos , ele é dono ainda de um Puma GTS conversível amarelo , ano 1981 e de um SP2, esportivo da Volkswagen, 1973, vermelho . Mas sua coqueluche é o Bianco Tarpan conversível . “É o carro da Penépope Charmosa , réplica de um carro de corrida ”.
“ Um modelo como esse não vai ser encontrado hoje em lugar nenhum do Brasil”, alerta Neco, todo orgulhoso . Segundo ele trata-se de um carro da serie C, fabricada em edição limitadíssima pela Bianco Car, em 1981.
Conversível original de fábrica , ano 81, o carro tem motor VW 1.600 dupla carburação.
“ Eu procurava esse carro há oito anos ”, disse. Quem encontrou foi o seu irmão , em viagem a Camboriú. O carro estava parado, jogado no fundo de um quintal . “ Quando ele me contou, fiquei empolgado e imediatamente mandei procurar o dono ”. Neco fechou a compra por telefone , e idealizou um projeto de recuperação do veículo , encomendado à Oficina Trojillo de Presidente Prudente , com uma leve reestilização conforme seu gosto . Era um Bianco vermelho . Neco preferiu pintar de dourado . Instalou um banco de couro cor caramelo e refez o painel .
Estudioso , Neco sabe tudo sobre a série Bianco, principalmente o Tarpan. Segundo ele a história começa com Toni Bianco, um projetista paulista de origem italiana e criador dos carros de competição Bino, o Fúria Auto Esporte e os Fórmula 3 nacionais , que resolveu lançar seu primeiro carro de passeio no Salão de São Paulo de 1976: o Bianco. Uma segunda versão desse veículo foi apresentada no Salão de Nova York em 1978, arrancando suspiros do público.
Estilo agressivo
Toni Bianco começou a desenvolver a série Tarpan em 1978. Em princípio seria uma evolução do Bianco. No Salão do Automóvel foi apresentado com mecânica do Passat TS, de 1,6 litro e ótimo desempenho para a época . Foi prometido com quatro freios a disco , pára-choques retráteis, um isolamento térmico e acústico feito de poliuretano injetado, etc. Mas na produção em série foi utilizada a mesma mecânica do VW Brasília .
O estilo agressivo e original foi sempre um destaque do Bianco, e o desempenho acompanhava. Como inúmeros outros fora-de-série, utilizava a plataforma e a mecânica VW 1600 "a ar ".
Em julho de 1981 a fabrica de Diadema , no ABCD paulista , apresentava o Tarpan TS, enfim com o motor de 1,6 litro e 88 cv ( líquidos ), refrigerado a água , do VW Passat de mesma versão . Na época eram também produzidos o Bianco S, o Tarpan com motor "a ar " e o conversível . Mais nervoso , o TS oferecia desempenho bem adequado, além de ótima estabilidade .
Na década de 70 e 80, pelo fato de a importação de carros ser proibida no país , o número de fabricantes de veículos especiais era muito grande e a concorrência forte . A fábrica do Bianco e do Tarpan, que não era filiada à Anfavea assim como outros pequenos fabricantes , enfrentou problemas financeiros e fechou suas portas em meados da década de 80, deixando para trás uma história de sucesso , cultivada hoje por apaixonados por veículos fora de série , como o oswaldocruzense José Roberto Bernardo.
FICHA TÉCNICA
MOTOR - traseiro ; 4 cilindros horizontais opostos ; refrigeração a ar ; comando central , 2 válvulas por cilindro . Diâmetro e curso : 85,5 x 69 mm. Cilindrada : 1.584 cm3. Taxa de compressão : 7,2:1. Dois carburadores de corpo simples . Potência máxima bruta : 65 cv a 4.600 rpm. Torque máximo bruto : 11,7 m.kgf a 3.200 rpm.
CÂMBIO - manual , 4 marchas ; tração traseira.
FREIOS - dianteiros a disco , traseiros a tambor.
RODAS - 8 x 13 pol; pneus , 185/70 R 13 S.
DIMENSÕES - comprimento , 3,8 m; largura , 1,66 m; altura , 1,16 m; entreeixos, 2,4 m; peso , 825 kg.
DESEMPENHO - velocidade máxima , cerca de 150 km /h; aceleração de 0 a 100 km /h, 15 s. |