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VEÍCULOS

. . Segurança: Cuidados no transporte de cães e gatos evitam que simples acidente vire tragédia

. . Não é incomum ver cachorros de estimação soltos dentro dos carros ou curtindo aquele ventinho com o focinho e a cabeça para fora da janela. A imagem logo desperta a atenção simpática de pedestres e de outros motoristas. Levar um bicho de estimação no automóvel pode parecer "bonitinho" e inofensivo, mas esconde risco à vida do animal e até à do próprio motorista.

. . O cão ou gato solto dentro do veículo pode tanto assustar ou desviar a atenção do condutor e provocar um acidente, como também, em caso de colisões, ter o corpo projetado para frente e ferir seriamente outros ocupantes. "Todo objeto solto dentro do carro pode se deslocar na mesma velocidade do veículo e ter uma força de impacto perigosa", alerta Alberto Sabag, secretário-geral da Associação Brasileira de Medicina de Tráfego.

. . Em uma situação hipotética, um carro a 50 km/h com um cachorro de 10 kg - equivalente a um poodle médio - no banco traseiro colide em um outro veículo e o animal é projetado para a frente. O impacto do animal vai equivaler a 4 mil kg. "O ideal é o cão não ter muita mobilidade e ser transportado com a coleira e a guia presas em algum local do carro ou naquelas caixas de fibra apropriadas", aconselha Isabel Cristina, presidente da Suipa - Sociedade Brasileira de Proteção aos Animais.

. . O problema é que o Código Nacional de Trânsito não tem uma legislação específica. Pela lei, os animais domésticos são equiparados a objetos e só não podem ser conduzidos no colo, à esquerda do motorista, ou nas partes externas do veículo. Nenhum guarda pode multar o veículo onde o cachorro esteja solto no banco traseiro ou no do carona. "Orientamos a não deixar o bicho solto e só advertimos se o animal estiver atrapalhando", explica o relações públicas da Polícia Rodoviárial. "O problema é que cachorros e gatos não são considerados passageiros, senão seriam obrigados a usar cinto. Só que eles também não são uma carga", pondera o advogado Marcelo Araújo, assessor Jurídico da Câmara Temática do Contran.

. . Não há estatísticas oficiais nem um estudo sobre o assunto. Mesmo assim, não é apenas o dono que corre o risco de se acidentar por causa do seu cão ou gato. É comum em clínicas veterinárias animais chegarem com lesões por terem se desequilibrado dentro dos carros em freadas bruscas ou batidas. O mais comum, porém, são cachorros submetidos a cirurgias por estarem viajando com a cabeça para fora da janela. "Muitos traumas de animais acontecem dentro do carro, como luxações, além de traumatismo craniano e fraturas do maxilar", diz o cirurgião veterinário Aldeci Costa de Souza.

. . O Dr. Aldeci conta que também é comum registrar esmagamento de cães pelo fato de motoristas insistirem em levá-los no colo enquanto dirigem. E utensílios para o transporte de cães e gatos não faltam. Em qualquer "pet shop" é fácil encontrar caixas de fibra dos mais diferentes tamanhos para o transporte de cães e gatos de todos os portes. Além disso, existem cintos de segurança específicos para cachorros, que prendem o peito do animal, deixando-o com mobilidade, mas capaz de proteger o bicho e seu dono em caso de colisão.

. . Para quem tem veículo tipo perua ou hatch, uma opção são redes ou grades, de plástico ou alumínio, que "separam" o banco traseiro do porta-malas, impedindo que o animal atrapalhe o condutor. Especialistas também orientam a não transportar os bichinhos no carona e a não levar gatos soltos dentro do carro, devido ao temperamento mais estressado dos bichanos. "Se ele se estressar pode até arranhar o motorista e causar um acidente", alerta Isabel Cristina, da Suipa.

. . . . Carga viva

. . Transportar animais domésticos dentro dos veículos pode ser simples, mas o mesmo não se pode dizer do transporte da chamada carga viva. Para conduzir rebanhos e animais de grande porte, o motorista é obrigado a levar uma boa quantidade de documentos. Primeiramente, cada espécie animal deve ter uma GTA - Guia de Trânsito Animal. É uma espécie de "passaporte" emitido pelas delegacias do Ministério da Agricultura ou pelas Secretarias Estaduais de Agricultura que "liberam" os rebanhos. O motorista também deve ter a documentação fiscal da carga em ordem. "Caso contrário, a carga é apreendida e encaminhada para os órgãos competentes", alerta o inspetor José Nivaldino Rodrigues, da Polícia Rodoviária.

. . Mas as condições de transporte dos animais também são levadas em consideração. A carroceria que leva a carga viva deve apresentar segurança, acomodar bem os animais e ter ventilação. "Normalmente os motoristas têm cuidado com esse tipo de carga, pois há o valor agregado do que está se transportando", diz Nivaldino. Outras leis devem ser observadas para esse tipo de transporte. Há, por exemplo, proibição de transporte de animais de propriedade ou estabelecimento onde esteja ocorrendo doença infecto-contagiosa.

. . . . Dicas Instantâneas

. . * Os veterinários aconselham a não dar água ou comida para o cão ou gato três horas antes de viajar com ele.

. . * Para animais muito agitados, os especialistas aconselham a aplicação de um sedativo indicado pelo veterinário, principalmente em viagens muito longas.

. . * Além da GTA, para o transporte de animais silvestres o condutor precisa ter autorização do Ibama e da Secretaria de Meio Ambiente de onde o animal foi trazido.

. . * Levar um cachorro grande na caçamba de uma pick-up não é considerado infração, já que o animal é igualado a uma carga. Mesmo assim, os veterinários aconselham a transportar os cães na caçamba em caixas de fibra vendidas em "pet shops".

. . * Todos os cintos de segurança para cachorros vendidos no Brasil são importados. Não existe nenhuma empresa do país que fabrique o dispositivo.

. . * No carregamento de rebanhos, depois de descarregado, o compartimento que transportou os animais deve ser lavado e desinfetado.

 

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